RABISCOS (II)



Rabiscos dos meus atos trago na alma,
Como um infante que não sabe ler;
E quanto mais pressinto a vida calma
Não sou capaz, jamais, de a compreender.

Outrora procurei, com fé, a palma
Que neste mundo desejava ter,
Queria ter amor, que ilude e acalma,
Queria luz e prece ao falecer...

Mas nada me restou que valha a pena...
Rabiscos trago na alma e não sei lê-los,
Pois minh’alma talvez seja pequena.

Assim sinto perder-se minha essência:
E enquanto ficam brancos meus cabelos
Não colo grau na escola da existência.